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Archive for the ‘Contos Ruminados’ Category

Não continuem sem ler a Parte I

Eu, Dionísio de Todos os Contos, com grande pesar, gostaria de comunicar a perda de um grande amigo, talvez o melhor que já tive em toda a minha vida. Ainda que não fosse humano, deixo a todos que ele se tornou um irmão, galo, mas irmão. O Meu Amigo Galo Gato Morreu!

Depois de tentar matá-lo, fato este que vocês já conhecem, ele virou meu companheiro de todas as noites, sua cantoria me acalmava. Eu, em contrapartida, passei a alimentá-lo escondido. Como ele gostava da ração especial que eu comprava para ele!

Certa vez meu vizinho me disse que quando eu viajava o galo parava de cantar, mal ele sabe que o meu amigo sabia que não precisava.

Apesar de não gostar de falar sobre o assunto, ele merece que seu drama seja de todos conhecido.

Tudo começou quando minha esposa, inocentemente, comprou um gato da raça Maine Coon. O gato é gigante, tem cerca de um metro de comprimento, pesa treze quilogramas e possui pelos compridos e rajados em tons de amarelo claro e escuro. Uma beldade dos gatos.

mainecoon

Aconteceu que, ante a este tão belo espécime, a namorada do galo gato se encantou, ficou hipnotizada por tamanha beleza felina, não resistiu e traiu meu grande amigo. Em outras palavras, a gata virou piranha e o gato virou boi.

Infelizmente não foi uma traição somente, mas com uma brevidade incrível ela trocou o pobre galináceo pelo imponente gato. Deixou para trás todo carinho e amor de seu apaixonado companheiro de todas as noites.

O corno, digo, o galo não se conformou e sofreu incrivelmente a perda de sua amada. Seu canto noturno, antes com empolgação e alegria, tornou-se um pio fraco e choroso que entristecia qualquer um. Com o tempo, acabou por parar de cantar e decidiu partir para a vida noturna, entrando com as duas asas para a vida de boemia que galo algum jamais experimentara. A bebida passou a fazer parte de todas as suas noites. O galo definhava.

Eu, Inconformado com condição de meu amigo, decidi por ajudá-lo. Passei a procurar nos bares da cidade. Acabei encontrando-o em um bar no Porto da Palha, fiquei assustado com o que vi.

As pessoas que estavam no bar assistiam o galo cacarejar um discurso de improvável compreensão, com pequenos intervalos para uma dose de cachaça, o pequeno animal andava para um lado e para outro, como se contasse sua história de amor, traição e abandono.

Quando ele me viu, parou de falar, digo cacarejar, andou até o copo de bebida, sorveu uma boa quantidade de cana e foi para um canto calado e cabisbaixo.

Acredito que minha presença lhe trouxe recordações das noites que cantava em companhia de sua namorada no muro de minha casa.

Me aproximei lentamente e sentei ao seu lado. Primeiramente decidi apenas por encará-lo, mas ele não me olhava, fitava o chão e respirava profundamente tentando segurar o choro que insistia em sair.

Os freqüentadores do bar nos olhavam curiosos, nunca haviam presenciado algo tão absurdo. Não sei ao certo a razão, porém me veio um impulso que não consegui controlar, então puxei conversa com o galo.

– Galo, fica assim não, isso passa, tem muitas outras gatinhas por ai, essa não te merecia.

Após um breve momento, com um movimento lento e dramático, ele me encarou, pouco satisfeito, e esbravejou em minha direção.

– Cócócó córico CÓ!

Em um momento de total silêncio no bar, todos deram um passo para trás, percebendo que o galo estava aborrecido. O pior de tudo foi que tive a impressão de entender exatamente o que ele acabara de falar:

– Ninguém te chamou aqui, SAÍ!

Mesmo confuso, decidi continuar o que eu achava ser um diálogo.

– Mas galo, somos amigos, eu estou aqui para te ajudar!

– Não interessa! – Cacarejou ele. – Eu não te chamei para vir aqui! Vai embora!

– Só saio daqui com você, sou seu amigo.

– Amigo! Se não fosse você eu jamais teria conhecido aquela gata safada, pensa que eu não seu que sua intenção era que ela me matasse.

– Para com isso galo, agora somos amigos, eu quero te ajudar.

– Então vai embora, eu não quero falar com mais ninguém.

– Tudo bem, eu vou embora, mas saiba que tu és o meu melhor amigo.

Me afastei sem olhar para trás, mas não foi a última vez que vi o galo. Continuei a acompanhá-lo nos bares, tomando conta dele de longe, vi meu amigo definhar dia após dia. Tentei ajudar algumas vezes, porém cheguei até a tomar umas bicadas na cabeça.

Entendi que ele havia se decidido, só poderia acompanhá-lo para que não se machucasse. Até que um dia, em um de seus cacarejantes discursos, ele suspirou e morreu. Fico feliz que não foi uma morte lenta e dolorosa.

Como todos nós sabemos, a cachaça amacia a carne das aves, portanto foi uma confusão enorme no boteco para que o galo fosse cozido e virasse tira-gosto. No princípio eu reagi, mas depois entendi que eu não tinha como evitar que isso acontecesse. Apesar de não ter comido da carne de meu amigo, exigi que eu o preparasse.

Dizem que foi um dos frangos mais gostosos já servidos em Belém, acredito que tenha sido verdade, pois uma carne tão cheia de amor e amaciada por tanto álcool só poderia estar muito boa. Na verdade eu deveria ter provado pelo menos uma asinha, mas agora não tem mais jeito.

O bar onde morreu o meu amigo mudou de nome para Bar do Galo Gato. Os freqüentadores são agraciados por nossas histórias sobre o galináceo apaixonado e bêbado que por ali passou. Muitos até acham que não se passa de uma lenda boba de bar, mas eu sei que é verdade.

Esta foi a triste história de Meu Amigo Galo Gato, que de inimigo jurado de morte, passou para um grande amigo, ao qual esta homenagem presto com muita saudade e carinho.

Galo Gato, muito obrigado por tudo.

FIM

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galo1

Minha vida parece que nunca vai ter paz. Quando morava no interior, eram as festas que faziam nos apartamentos à minha volta que não me deixavam dormir, obrigando-me a participar de todas. Decidi me mudar para capital, afinal não havia nenhuma fonte de farra próxima à minha casa. (mais…)

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Não continuem sem ler a Parte I , Parte II e Parte III

 

Pela noite, todos os jornais noticiavam a história de como Dionísio havia sido preso e libertado em nome de seu grande amor. O ocorrido estava se espalhando para o Brasil inteiro. Acreditavam ser impressionante que todos os presos da delegacia do comércio de Belém tivessem feito uma arruaça enorme e, logo após o sumiço de Dionísio, pararam calmamente e entregaram-se. Não houve uma só morte, somente alguns policiais e presos com ferimentos leves ocorridos em meio à confusão.

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Não continuem sem ler a Parte I

– AAAAAAHHHHHH! – Gritou uma das vendedoras da loja. – Chamem o segurança, tem um tarado pelado em cima de uma das camas!

As outras vendedoras de loja e alguns clientes ficaram em polvorosa pelo que viam, com pouco mais de 30 anos, um homem moreno, magro e com musculatura bem definida estava nu em cima de uma das camas. A vendedora que gritou saiu correndo em busca de ajuda.

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Amor, sentimento desenvolvido desde sua vida pueril, nem mesmo lembrando-se de quando a conheceu, pois desde que tem alguma memória lá estava ela, sempre alimentando tão nobre sentimento em seu pequeno coração, mas ignorando-o como se ele nem mesmo existisse.

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seteromi003

Nos meus primeiros anos de vida tive uma obsessão: ter os mesmos poderes do Super-Homem, ou Seterômi, como eu costumava chamá-lo. Tinha certeza que conseguiria ao menos voar, bastava fazer como ele. Eu levantava os braços para o alto, com punho cerrado e dava o grito “SETERÔMI!”. Um pequeno salto e nada, algo estava errado, o que poderia ser?

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Para a leitura do Primeiro Capítulo clique aqui.

Para a leitura do Segundo Capítulo clique aqui.

Parte Final

Não quero mais viver! A morte é a única solução para mim. Eu tentei aceitar minha nova condição como hemorroida, mas depois de ontem eu desisto da minha existência.

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